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A Broca Literária

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O Assassino de três corações - 3

por Alexandre D´Assumpção

Rio Torcando

Um pouco antes do final da primeira noite.

De quatro, de ladinho, papai e mamãe, anal... Prazer ilimitado. Os toques mágicos de um homem que sabia exatamente o que estava fazendo e como agradar qualquer mulher.

Pele, pequenos terremotos, zoeira no ouvido, uma leve tonteira e o sorriso final. Uma flor havia desabrochado nas mãos de um jardineiro habilidoso e competente. Paixão em gotas num veloz jato.

Um abraço e um beijo. Juntinhos... O sonho de toda mulher para a sua primeira noite. Carinhosa e intensa, uma história para ser contada.


A primeira parte do meio da primeira noite.

Vestida de “Wandinha”, ela o acompanhou até um bar gótico. “Festa estranha, com gente esquisita...” Pensou antes de encarar as estranhas pessoas vestidas de preto e com "Pancake" branco no rosto deixando-os fantasmagóricos.

Enquanto os cartões de crédito roubados pagaram suas contas, identidades falsas encontradas nas gavetas da casa permitiram que ela “bebesse todas”. A noite começou com uma “segunda feira de manhã”. Algo que daria uma “Dor-de-cabeça” garantida.

A luz negra e trêmula, dava nuances bizarros a cena, já alterada pelo álcool. Todos os seus movimentos pareciam em câmera lenta, assim como os de todas as pessoas que dançavam e flertavam escondidas no meio da multidão. Seu companheiro, um habituê do lugar, dava pausas para conversar e rir com outros freqüentadores. Apontava para ele e todos faziam sinais de aprovação. “O sucesso não ocorre por acaso”...

Na sua frente, a TV falava sobre as últimas vitimas do “Assassino dos três corações”. Novos dados citavam suas preferências por lugares da moda e “GLS”. Uma menina de 18 anos que afirmava ter sido a única sobrevivente de seu último ataque, o descrevia como um homem alto de longos cabelos negros que forçava menores de idade a ter relações homossexuais contra sua vontade. Segundo as lendas, ele assassinava tanto gays masculinos quanto femininos.

Um sociopata com profundo ódio por gays? Um enrustido, talvez... “Isso nunca aconteceria comigo...” – Pensou.

menina Rio por Marcela Gomes

“Mais uma das máscaras da noite.” Pensou enquanto pedia a segunda bebida, a que “desceu rasgando” por sua garganta. Para não “dar o braço a torcer”, manteve a mesma expressão de serenidade. Se sentia nas nuvens... Estava nas mãos dele, seu guia noite afora.

Um sorriso misterioso e a oferta de um “Red Bull aditivado”. Bom o suficiente para ignorar qualquer conteúdo lisérgico.

Uma mulata que passava, olhou para os dois e sorriu. Ele retribuiu e um cartão com nome, telefone e e-mail veio parar em suas mãos. Uma proposta para um próximo momento... Ou depois do próximo.


A quarta parte do meio da noite.

Flashes, cenas torcidas, quebradas, desconexas... Sinapses deformadas, tortas... Prazer. “Joy de Vivre”. Uma noite para se viver e fugir para realidades alternativas onde uma mulher pode sair de dentro do casulo de colegial. A felicidade é uma questão de momento e das concessões certas.


Manuscritos no espelho sobre a segunda parte da noite.

A menina feita mulher sorri
Desejo satisfeito, amor líquido
Despejado em nossos corpos
Fluindo, fundindo, soldando.

Dois corações batendo em uníssono.
A menina seduzida, pronta para ser
Abatida foi deliciada, saboreada,
Despetalada, desvirginada.

“fazer ondinhas” de noite
com um homem convincente,
sedutor, capaz de nos envolver
em sua aura de mistério.

A queda de um “soutien”...
Mamilos rosados beijados
Com carinho, desejo, tesão.
Toda uma noite de paixão.

A menina tímida, iniciante
Pronta para o abate, convencida
Se jogando delicadamente
Na feroz boca do sexy leão.

Um abraço como resposta,
Lábios nos lábios. Molhados...
Cola, magnética, grudenta
Lasciva, desejável, ardente.

A primeira noite de uma mulher
O mesmo beijo em lábios trocados,
De prazer, ainda mais molhados,
Aguardando um novo presente.

O alto balbuciar do trovão
Numa entrega especial de ocasião
A menina sorri , havia entregado
Seu coração.

O quarto inundado pelo perfume
Eventual, ocasional, tão normal
Inaugural, amor de casal.
A calmaria depois dos “pequenos terremotos”.

A menina olha seu amante
Admirada, apaixonada, inaugurada
Uma nova história pra contar.
A noite que se poderia eternizar.


A segunda metade da primeira noite.

Um táxi pago com dólares falsificados. O motorista com um sorriso conveniente, ganancioso demais para perceber que aquele estranho casal não estava sendo parte do famoso “turismo sexual”. Passos delicados, glamour, carinho e calor. O motel da moda com pista de dança, piscina e uma cama do lado de um bar. A porta se fechou em suas costas. O show estava para começar.

Risos nervosos, bêbados, cínicos... O melhor ainda estava por vir.

Rua Rio por que